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Pesquisa

Egressa da Biomedicina publica artigo científico internacional sobre sistema imune e restrição alimentar

Publicado: Sexta, 20 de Fevereiro de 2026, 09h14

Acaba de ser publicado neste mês de fevereiro o artigo científico “A reprogramação hormonal do sistema imune durante a restrição alimentar garante a defesa do hospedeiro e a conservação sistêmica da glicose”, pela revista internacional Immunity - Cell Press, especializada em divulgar os avanços mais importantes na pesquisa imunológica. O artigo tem como primeira autora Luísa Menezes Silva, egressa da turma 31 do curso de Biomedicina da UFTM.

Egressa Luísa Menezes Silva

 

A pesquisa foi realizada na Universidade de São Paulo em parceria com a Weill Cornell Medicine (Nova Iorque, Estados Unidos), sob orientação dos pesquisadores Niels Olsen Saraiva Câmara (USP) e Nicholas Collins (Weill Cornell Medicine). Durante o seu doutorado, a aluna realizou estágio sanduíche na cidade nos EUA, onde desenvolveu o trabalho em colaboração com o grupo no exterior. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A estudante iniciou sua carreira acadêmica na UFTM por meio de iniciação científica no laboratório do professor Carlo José Freire de Oliveira, durante o seu bacharelado em Biomedicina.

A Pesquisa


A pesquisa buscou compreender o que acontece com o sistema imune após curtos períodos em restrição calórica. Como o sistema imunológico demanda um alto gasto de energia, a dúvida dos pesquisadores era como essas respostas imunológicas aconteceriam em uma situação de dieta de restrição de calorias.

Os pesquisadores utilizaram o modelo animal de camundongos para provarem sua hipótese. Os camundongos ingeriam aproximadamente apenas metade (50%) do consumo diário de calorias e nutrientes comparados a um camundongo que tinha dieta à vontade.

Os pesquisadores descobriram que um hormônio relacionado às respostas de estresse e ao ritmo circadiano, o cortisol, aumenta durante a restrição de nutrientes. O aumento deste hormônio fez com que linfócitos T naive, células importantes na geração de respostas contra uma infecção, migrassem para a medula óssea desses animais durante o período de restrição de nutrientes.

Em contrapartida, o cortisol aumentou a sobrevida de uma população de células da resposta imune conhecida como neutrófilos, abundantes na corrente sanguínea e importantes no combate contra micro-organismos. “Esse aumento de neutrófilos foi necessário para promover a proteção dos animais em restrição calórica contra diferentes bactérias. Estes efeitos mediados pelo cortisol foram confirmados através do tratamento dos animais com o hormônio sintético, a dexametasona”, explicou Luísa.

Além disso, os pesquisadores descobriram que o aumento do hormônio cortisol nos animais em restrição calórica é importante para evitar o gasto elevado de nutrientes pelo sistema imune. O aumento do cortisol durante a restrição calórica impediu a proliferação dos linfócitos T, células conhecidas pelo seu alto gasto de energia quando estão ativadas, enquanto que os neutrófilos destes mesmos animais passaram a usar menos glicose. “Desta forma, concluímos que o aumento do cortisol durante a dieta de restrição de calorias tem um papel crucial na regulação da resposta imune, inibindo o uso excessivo de glicose e modulando a resposta imune de forma eficiente a combater infecções”, destacou a pesquisadora egressa.

Acesse o artigo científico publicado pelo link:

https://www.cell.com/immunity/abstract/S1074-7613(26)00002-6

"A UFTM marca o início da minha jornada como cientista, desde a minha iniciação científica no laboratório do professor Carlo José Freire de Oliveira. Tenho muito orgulho de dizer que a UFTM é minha alma mater e gratidão pelas pessoas que, durante o meu bacharelado, me incentivaram a seguir o caminho da ciência", concluiu Luísa.

 

Imagens: Arquivo pessoal de Luísa Menezes Silva

 

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