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21 De Março: Um Dia Para Falar Do Enfrentamento Ao Racismo Com Adolescentes (E Nos Outros Dias Também!)

Publicado: Terça, 24 de Março de 2026, 16h06

No dia 21 de março de 2026, o Prof. Dr. Ailton de Souza Aragão, do Departamento de Saúde Coletiva (DeSCo) e da Secretaria de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (SEDIPA), a convite da Prof.ª Carmem e demais membros da Equipe Pedagógica, desenvolveu uma Roda de Conversa com adolescentes da Escola Estadual “Bernardo Vasconcelos” sobre o tema do 21 de março.

A data objetiva manter viva e presente a memória do massacre cometido por policiais na África do Sul contra manifestantes que se opunham às leis racistas do regime do apartheid no dia 21 de março de 1960. Em perspectiva mais ampla, a data promove uma ampliação das lutas contra o racismo ao incluir a xenofobia ao passo que se estruturem ações que promovam equidade, justiça e dignidade, indistintamente. Ao mesmo tempo, a data evoca a necessidade constante do compromisso coletivo contra a discriminação racial e toda forma de intolerância.

No espaço da biblioteca (que fora alvo de uma inundação), com os cerca de 35 adolescentes sentados em círculo e com a presença de alguns docentes, o professor A. S. Aragão iniciou a Roda de Conversa pontuando “o que vocês ouviram falar sobre a África?”. E as respostas como “fome”, “doença”, “seca”, “atrasado”, “sem internet”, etc.: enunciaram o que tem sido proferido e reproduzido sobre o continente há muitas décadas. Oportunidade para desenvolver uma reflexão sobre o processo de colonização europeu e as formas de dominação impostas sobre os povos africanos, como a escravização que atravessou o Oceano Atlântico.

Chegando ao Brasil ... Oportunizaram-se estratégias de interação com os/as adolescentes, como as profissões desenvolvidas por negros e brancos; a escolaridade dos pais e mães dos adolescentes negros e negras presentes na Roda; a renda recebida pelos pais e mães; a violência que abrevia as vidas de jovens negros nas cidades; a imposição de uma estética eurocêntrica sobre os cabelos, o apagamento das expressões religiosas... E mesmo sobre o desejo dos mesmos quanto às profissões que almejavam desenvolver...

A discussão fora orientada pelos muitos exemplos expostos pelo/as adolescentes. As relações sociais cotidianas vivenciadas pelos estudantes (mas não apenas por eles) permitem constatar que, mesmo após 66 anos do ocorrido na África do Sul, no Brasil a população negra, geração após geração, segue sofrendo os efeitos do racismo: pobreza, renda menor, maioria das vítimas de violência letal, padecem de doenças evitáveis, etc.

Mas mais do que identificar os efeitos do racismo na sociedade, é reconhecer sua manifestação no espaço institucional, no ambiente da escola. Ali, os/as adolescentes verificam em primeira mão o racismo recreativo (uma piada com o cabelo, por exemplo), o racismo religioso (um comentário desrespeitoso com os adereços da religião de matriz africana). Expressões que fragilizam e adoecem o/a adolescente que enfrenta diariamente o racismo e que terá rebatimentos nas muitas atividades escolares (e fora dela).

A conclusão final e coletiva dessa manhã de 21 de março na E. E. “Bernardo Vasconcelos” foi:  “uma escola sem racismo é possível!” Essa máxima é endossada pela Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003, que incentiva e orienta a elaboração e a realização de ações constantes que valorizem as manifestações da cultura negra como as danças, as músicas, as expressões religiosas, a literatura, a moda... que demonstram a sua diversidade e as muitas contribuições para a dinâmica social brasileira.

Da esquerda para a direita: Prof.ª Carmen Dionilia Amâncio de Sousa. (Professora de Arte e Apoio Pedagógico),
Prof. Ailton de Souza Aragão (DeSCo – SEDIPA). Prof.ª Marisa Almeida de Araújo (professora de Geografia),
Prof. João Edson Pacheco Silva (vice-diretor)



Crédito da imagem: Prof. Cícero Madu da Silva

 

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